Cê lembra?”

Este é início de conversa mais gostosa que existe: cê lembra?

Quando alguém diz isso a outro alguém, pode parar e ouvir que a história é boa!

Digo boa, pois ela estará recheada de um passado amoroso, tão bom, que é preciso ser rememorado de tempos em tempos.

Cê lembra” só acontece entre dois ou entre grupos, ela não anda sozinha, precisa de companhia para existir. Foram olhos, bocas, sentimentos e uma vivência tão única que crava seu espaço no colo dentre aqueles que estavam presentes.

Cê lembra” povoa histórias entre irmãos, primos, amigos de infância. “Cê lembra” é leve e íntimo ao mesmo tempo, afinal nasceu lá atrás, no pedaço de vida junto.

Ela acontece em almoço de família, no churrasco com amigos, no telefonema com um parente distante, no jantar entre namorados. Chamá-la é sinal de graça, de busca por conexão com o que há de mais vivo: uma história.

Dizem que as histórias são caminhos. São passos experienciados na existência, e se pararmos para pensar, caminhamos de verdade com poucas pessoas. A verdade que trago neste sentido, é aquela que vai deixar uma marca de encontro. De ter encontrado uma pessoa e registrado memória juntos.

Cê lembra“, recorda meu irmão Ricardo. Todas as vezes que nos encontramos temos o hábito de trazer momentos cômicos sobre a minha mãe, ou sobre os milhares de sustos que tentávamos pregar um no outro. Lembramos das viagens para Ubatuba, das armadilhas que ele montava para me pegar na infância, as danças ridículas, as bebedeiras em festas universitárias..

Cê lembra” é usado constantemente nos cafés com minha irmã. Rimos juntas sobre as pilhas de roupas em cima da cama na busca pelo “look” perfeito para uma festa nos anos 90, os amores falidos, as viagens de acampamento com 25 pessoas e nenhuma estrutura. Tem também o nascimento de nossas filhas, as dores que sentimos juntas e as superações.

Cê lembra” é sinal de carinho, de cuidado, de companhia.

E eu agradeço por poder repeti-la a um tanto de pessoas especiais.