Além da escrita sabe o que eu gosto? De sotaque.

Eu sou daquelas que pega sotaque tão fácil que esquece a língua-mãe em minutos. Pode parecer que não tenho autenticidade, mas meu bem, tem coisa mais linda do que alguém falando sua língua de um jeito especial?

Cada canto que vou, se é fora da minha cidade natal, presto atenção nas palavras que posso aprender. Tem sotaque que vira música, tem sotaque que dou risada, e tantos outros que não entendo e fico repetindo até entender.

Isso é uma coisa tão maravilhosa, falamos a mesma língua e mesmo assim, soamos tão diferentes.

A cultura que permeia aquele espaço, a história que aconteceu naquele lugar e todos aqueles que vieram antes, são os responsáveis por tamanha mistura de sons e palavras.

Descobrir o caminho que aquela linguagem fez e faz é algo intrigante, pois não há como negar o tanto que a língua está em constante transformação.

Para além do sotaque, os significados, as maneiras, e até a ressignificação das palavras, se alteram conforme seu povo e seu tempo.

As influências de outros países, das mídias, da moda e tantos fatores exteriores podem fazer com que nos afastemos da nossa língua, aquela mais profunda que vai além da maneira como a expressamos.

Bonito é gente que fala com o coração! Que usa o passado e o presente para emanar verdades e princípios nas canções que o sotaque produz. Para isso é preciso saber quem se é, quem foi e está vir a ser.